
Eu, filho dos meus pais, neto dos meus avós e sobrinho dos meus tios, fiz uma grande descoberta a nível científico. E acho que vos posso garantir que, após o lançamento desta crónica, sou capaz de receber um telefonema da Suécia para eles combinarem comigo quando é que estou disponível para receber um Nobel ou lá o que for que eles tiverem para me oferecer. Então e que grande descoberta é esta? Eu sei que vocês estão mega ansiosos para saber e por isso e que vou já dizer.

Eu, filho dos meus pais, neto dos meus avós e sobrinho dos meus tios descobri qual é o momento em que uma pessoa deixa de ser uma criança com sonhos e conquistas pela frente, e começa a ser um adulto com responsabilidades e coisas chatas por fazer. E quando é esse momento, estão vocês aí, atrás de um ecrã, ruidinhos para saber… é quando descobrimos o que é a droga.
Deixem-me explicar melhor.
Para as crianças, ainda em idade cor-de-rosa, elas já sabem o que é a droga. Mas para eles, a droga é a droga. É um conceito muito vago. A droga para as crianças é como o cérebro para o Pedro Pinto: ele sabe que existe, mas não usa.
Para as crianças tudo o que for droga é droga, não interessa a cor, o cheiro, o sabor, se se fuma ou se é injetável. As crianças ignoram isso e chamam-lhe “a droga”. E as crianças tiram a credibilidade a todos os traficantes que fazem do tráfico o seu ganha-pão. Porque para as crianças a droga compra-se na drogaria.

Eu sei que já não sou criança, não por estar quase a fazer 24 anos de idade. Eu sei que já não sou criança porque eu já sei o que é a droga. A droga para mim deixou de ser um conceito vago. Sei que existem vários tipos de droga, sei quais são os malefícios da droga, sei como é que se usam os diferentes tipos de droga, sei onde e a quem se compra a droga. Atualmente, a droga está para mim como o cérebro está para o Pedro Pinto. Sei que existe, mas não uso.
Só uma cabeça pura, e com sonhos cor de marshmallow, é que não sabe o que essa cena da droga é. E ainda bem que não sabe, assim continua a sonhar e a ter o mundo na palma da sua mão. Uma criança só sabe o que é droga porque um dia viu nas notícias, muito provavelmente numa cadeia televisiva que não posso dizer o nome, mas está relacionado com um sítio onde se colocam as cartas de manhã.
(conversa meramente ficcional que explica a minha teoria, mas com bastante valor científico, porque eu atribuí valor científico, e atribui muito mesmo)
– Filho, tu que sonhas com uma vida linda e maravilhosa pela frente, sabes o que é a droga?
– Sei sim, mamã.
– Então, o que é?
– Droga.
– Sim, está certo, mas há muitos tipos de droga…
– Sim mamã, é do tipo da droga.
– Sabes como é a droga?
– Sim, a droga tem o formato da droga e as pessoas para usarem a droga tem de se drogar.
– Então, e para ti, filho, qual é a mais conhecida?
– Hmmm… não sei mamã, tenho de pensar… Já sei: a droga.
– Por fim, meu filho, qual é a tua relação com a droga?
– A mesma que o Pedro Pinto tem com o cérebro. Já sei o que é, mas não consigo usar.

Agora vou ter de me ausentar, estou a receber um telefonema de um número desconhecido. Tenho impressão que é um daqueles senhores suecos que oferecem aqueles prémios às pessoas que fazem grandes descobertas. Ou então é um daqueles que tem o numero privado e anda a fazer as partidas que as crianças fazem. Portanto, ou é para receber um Nobel ou é o Pedro Pinto. Mas acho pouco provável que seja a segunda opção, porque para pôr o número em desconhecido no telemóvel é difícil e é preciso usar o cérebro…
Epá, acabaram de desligar, agora nunca saberei.