
Sim, sou o único português em Portugal. Pelo menos, foi o que eu senti quando estive no Porto e em Lisboa, na qualidade de pessoa da aldeia. Em todas as ruas de Lisboa e do Porto, sejam largas, pequenas, a descer ou a subir, já não se ouve falar a nossa língua em nenhum lado. Porque os espanhóis invadiram-nos e, como eles não sabem falar no tom adequado, eles abafam tudo. Por isso, sou a favor de invadir e conquistar Ayamonte.
Eu gosto de todas as qualidades de turistas que visitam as nossas metrópoles, mas há uns que se destacam: os ingleses. Não consigo elaborar muito bem este pensamento, porque são pessoas como nós: têm dois braços, duas pernas, um tronco e uma cabeça, mas eu acho uma particular graça. É provável que seja devido à cor encandeceste em que se transformam depois de 45 minutos debaixo de sol. Fica muito fácil saber o que eles tinham vestido no dia anterior só pela marca do escaldão que apresentam e acho muita piada.

Mas, lá está, infelizmente, já não se veem tugas como nós, sim como eu que estou a escrever e como tu que estás a ler. Não me faz confusão nenhuma só ver pessoas estrangeiras nas nossas cidades. Mas, faz-me comichão interna não ver portugueses. I mean, estamos em Portugal, onde é que estão as pessoas que comem caracóis e bebem cerveja?
(baseado em factos reais)
Há cerca de um mês, estava a passar nas ruas da Baixa de Lisboa, entro numa loja e o moço que lá trabalha virou-se:
– Hey
Aceno com a cabeça e com um sorriso puxado a ferros (trocadilho porque agora uso aparelho nos dentes). Ao que ele remata com:
– Can I help you?
Ao que eu respondo:
– Amigo, estou só a ver.
O moço esboçou-me um sorriso demasiado honesto para eu não me conseguir esquecer. Ele não estava cansado dos turistas, ele tinha saudades de ouvir falar português. O turismo trouxe uma onda de aproximação entre os portugueses só para falarem português, porque, como diz o ditado, quando fala um português falam dois ou três.
A única coisa que me deixa triste nas grandes metrópoles é o facto de deixarem de ser nossas e deixaram de ser para nós. Os preços não são para nós. No mês passado, queriam cobrar-me oito euros por dois cafés, no Porto, vou repetir: OITO PAUS POR DOIS CAFES! Os preços são ridículos. Outra: um pastel de bacalhau com queijo da Serra mais um copo de Moscatel, dezoito euros. Man, estas coisas deixam me irritado, com dezoito euros eu vou ao Continente e trago almoço, jantar, um livro, um pão de Mafra e os dezoito euros porque os seguranças estão sempre a dormir. Alegadamente, não vá eu ter problemas.

Nas metrópoles não sei se me sinto pobre, forreta ou se sou o único com a noção que os preços não fazem sentido.
Não digo que a malta de fora volte para as suas terras, até porque se fossem estávamos tramados. Mas tenho saudades de ver cozidos á portuguesa nas mesas onde hoje estão alemães a comer paelhas.
