Fumar faz mal, mas os reality fazem pior.

Com tudo o que se passa nível global e do planeta todo, apenas uma coisa conseguiu unir os portugueses. Futebol? Não. Comida? Népia. Um triangulo amoroso na Casa dos Segredos? Ora, aí está. O povo português, às vezes, surpreende-me e fico feliz por ser português. Mas depois fazemos destas malandrices.

Uma breve explicação sobre o que se passou em 30 palavras: um cotonete namorava com uma moça e traiu-a com o Sid da Idade do Gelo, só que a moça concordou e disse que era na boa para ganharem uma guita.

(Sim, eu deixei esta frase “Uma breve explicação do que se passou em 30 palavras” por acabar, escrevi a frase da explicação, contei as palavras e só depois coloquei o número 30 no fim).

A mim já não me enganam, aquilo é tudo combinado entre eles e a produção. Eu não estou aqui para julgar as escolhas amorosas de certas pessoas, cada um gosta do que gosta e está tudo bem. Julgo, sim, as escolhas da TVI. Pergunta genuína: alguém sabe há quanto tempo consecutivo é que está a dar um reality show?

Acaba a Casa dos Segredos, começa a 1ª Companhia; acaba a 1ª Companhia, começa um Big Brother; depois acaba e começa a mesma ronda de programas, mas desta vez com “famosos”, ou, por outras palavras, pessoas que foram um bocadinho conhecidas durante a sua vida, mas agora estão tesas que nem um carapau.

Não consigo entender o encanto que este tipo de programas tem. O conceito é sempre o mesmo: pessoas fechadas dentro de uma casa a serem totalmente vigiadas e controladas durante 3 meses. Depois têm missões ou têm de descobrir podres da vida dos outros concorrentes. Querem o podre da vossa chefe? Pronto eu dou. A Cristina Ferreira criou um perfume para o pipi, não porque precisava de dinheiro… simplesmente precisava. Atenção, eu não me identifico com esta piada, porque desconheço os odores corporais da Cristina Ferreira, mas o João Monteiro sabe.

Eu tenho para mim que a maior parte dos concorrentes entram para estes programas saudáveis e sem nunca terem fumado um cigarro. Mas aquilo é tão entediante que começam a fumar porque não há mais nada para fazer. Já esconderam as cápsulas de café, já fingiram ter medo de queijo e já foram ao confessionário dizer que querem desistir e voltar para casa, por isso, o único e lógico passo a dar… é fumar.

E depois há outra coisa: eles fumam bué. Fazendo as contas assim por alto, um concorrente que fica até a final a fumar um maço por dia gasta em tabaco aproximadamente… uma batelada de dinheiro.

Todos já pensamos como seriamos dentro de uma casa destas. Ou inteligentes ou plantas. Ou dominadores ou dominados. Ou ganhávamos ou eramos corridos na primeira semana com a maior votação de sempre para ser expulso. Eu gosto de pensar que, ou ganhava e era o melhor concorrente de sempre ou desistia passado 3 dias porque percebia que não havia nada para fazer e não ia começar a fumar porque dizem que faz mal.

O único programa em que era mesmo capaz de entrar é o Too Hot To Handle. Explicando o conceito para quem não sabe: uma casa com muitas pessoas com uma excelente aparência física que perdem dinheiro caso se envolvam com algum concorrente. Por exemplo: dar um bate-chapas perdem mil euros; se derem um linguadão perdem cinco mil euros e, se praticarem o amor em plena plataforma de streaming pequenina como a Netflix, perdem toda a dignidade e o amor dos pais.

E porque é que eu digo que participava na boa neste programa? Porque eu sei que ganhava. Aquilo é simples. É só não fazer nada mesmo.

Eu sei que eles e elas andam em trajes menores e a atração entre os concorrentes aumenta, e a produção dá missões provocatórias aos concorrentes para ver se cedem. Mas querem um conselho? Fechem os olhos. Simples

O único que me via a particionar era o Too Hot To Handle, mas o meu favorito foi um programa que foi um grande flop. Dava na SIC e o seu nome era O Carro do Amor. Diga-se de passagem, que todos os programas referidos nesta crónica foram vistos por estes dois olhinhos no máximo 20 minutos, nunca mais e nunca menos, porque queria rir-me um bocado.

O conceito de apanhar boleia de alguém e dar uma voltinha de carro para mim é muito divertido, mas sempre com a esperança de que houvesse um acidente para ouvir das bocas dos concorrentes a famosa frase “Vê-se mesmo que é uma mulher”. E a mulher ao seu lado esfregar-lhe o isqueiro do carro na ponta do nariz, a uma temperatura semelhante à de um vulcão, e sair do carro a tirar o microfone que lhe foi colado na roupa e entalado na fivela das suas calças, proferindo a frase “Os homens são todos iguais”.




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